quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Cordão Umbilical



É difícil, muito difícil. Quero sair de casa, mas as coisas não estão fáceis. Por um lado, isso torna tudo mais interessante, por outro, dou por mim a respirar com dificuldade, e a chorar lágrimas de raiva. Isto parece mais saído de um filme trágico-cómico, mas é mesmo assim.
Os meus pais não estão contra mim, mas também não estão a favor. A verdade é que depois de uma longa conversa cibernética com a minha irmã tudo ficou mais claro. Ela saiu de casa aos 22 anos, para ir viver com o namorado. Foram viver para a margem sul, compraram uma casa espectacular e ela foi trabalhar naquela zona. E eu na minha mente só me lembrava que os meus pais a tinham ajudado em coisas que ela precisava em casa. Mas a realidade não foi bem assim. Os meus pais não gostaram nem um pouco. Primeiro, porque iam “viver” juntos e não casar; segundo, porque iam para a margem sul, e não ficavam perto deles; e terceiro, porque simplesmente, ia sair de casa. E saiu, e não olhou para trás. E a verdade é que os meus pais acabaram por ajudá-la.
E finalmente percebi que, a única coisa que tenho a fazer é enfrentar todos os meus medos: a dependência materna, o cozinhar todos – ou quase todos – os dias, o limpar a casa, e o pó, mesmo que isso me custe espirrar mil vezes, lavar a roupa, passar a ferro, e ter de fazer uma ginástica orçamental, que vai custar-me algum nervoso miudinho, e ter de prescindir de muita coisa.
A minha irmã mais nova. Ela é que me disse que me apoia, que acha bem, que devo continuar a procurar a minha casa, mas que tenho de mentalizar-me de que é uma caminhada só minha. O que vier, por acréscimo, será muito bom. Eles vão, provavelmente, continuar a ignorar o meu entusiasmo cada vez que vir uma casa, e não vão falar em ‘apoiar-me’. E se calhar fazem bem, eu é que devo estar entusiasmada, e fazer pela vida.

3 comentários:

  1. Pois é, Bela Adormecida, o tempo passa e nós queremos, a certa altura, percorrer o nosso caminho sozinhas.
    Mas cortar o cordão umbilical significa alimentarmo-nos fora da nossa mãe, não é?
    Para isso devemos pensar se temos o suficiente para o fazer, senão... é como se nascêssemos e continuássemos ligadas pelo cordão.
    Porque não experimentas pensar ao contrário?
    Tens o teu quarto (o teu espaço), podes cozinhar, tens onde lavar a roupa, podes passá-la, podes ter privacidade quando queres e ter companhia quando precisas de um olhar amigo, de um ombro para chorar. Podes fazer a experiência de como é ter de cuidar de nós mesmas. Depois, quando tiveres o suficiente para não te preocupares com a tal ginástica orçamental... corta o cordão, sim, mas com um sorriso dos que te amam e te vêm partir para melhor.
    Não te iludas com a alegria permanente que parece ser o estarmos no nosso canto, mesmo a espirrar com o pó, a comer sandes e a "prescindir de muita coisa"...
    Quando somos jovens temos tendência para só contabilizar o que é bom e pensarmos que o mau desaparece, pelo simples facto de o ignorarmos.
    É bom ter uma casa, mas ter o conforto a que nos habituaram os nossos pais, vivermos bem dentro dela.
    É bom ir a uma festa com o cabelo arranjado e os sapatos que gostamos - isso dá-nos confiança.
    Ir à festa com os sapatos velhos e o cabelo descuidado, uma vez e outra... vai deixar-nos infelizes.
    E, acredita em mim, Bela Adormecida, quando fazemos muitos sacrifícios, grande parte do gozo sai a voar pelas frestas das janelas.
    Dizem que o dinheiro não interessa! Interessa para termos o que necessitamos. E muito!
    Corre atrás do teu sonho, mas realiza-o sem esperares o apoio dos outros.
    Vais ver como te vai saber bem de cada vez que conseguires o que desejas.
    Mas também te digo, que nós somos seres insatisfeitos por natureza e atrás de um virá outro e outro e outro desejo...
    Parabéns pelo teu espaço. Vou ficar tua seguidora.
    Boa sorte.
    MS
    PS. Ah! Bela Adormecida, prepara-te para quando despertares, pois a vida lá fora não é um conto de fadas.

    ResponderEliminar
  2. Senhora MSLS, muito Obrigada pelo seu comentário.
    Se me conhecesse sabia que não sou de arranjar o cabelo para ir a uma festa. E se for esperar que a vida esteja mais estável, e que tenha mais do que o suficiente, o meu pai terá barbas brancas, e a mãe estará a balançar-se numa cadeirinha... Sou apologista de "quem não arrisca, não petisca", e sou bastante orgulhosa, e lutadora, é claro que vou tentar ter as minhas coisas sem a ajuda dos meus pais, mas sei perfeitamente que, por iniciativa deles nunca me deixariam passar mal. E, para além disso, há que confiar em mim, e que serei capaz. Sem isso, não há ajuda que me valha.
    Obrigada mais uma vez pelos comentários, vou tentar ser feliz à minha maneira, mesmo que tenha monstros e vampiros a perseguir-me.
    Cumprimentos.

    ResponderEliminar
  3. Pois é! Felizmente não passei por isso, mas o que estás a sentir neste momento acredita que mais de 80% das pessoas qd decidem sair de casa passam todos pelo mesmo, a imcompreensão dos pais e a insegurança pessoal são as principais dificuldades, mas há q ter fé, acima de tudo é importante antes de se entrar na aventura, fazer um analise finaceira e encontrar um lar em que consuma apenas 1 terço do orçamento mensal.

    Boa Sorte.
    UNCLE

    ResponderEliminar